A desistência de Bukowski:
Eu era a soma de todos os erros: não tinha um deus, ideias, nem me
preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não
ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante.
Não queria ser uma pessoa interessante; dava muito trabalho. Eu queria
mesmo era um espaço sossegado e obscuro para viver a minha solidão.
Ou a luz ainda acesa de Gabriel García Márquez:
Arrastada pela família para separá-la do homem que a tinha violado aos
catorze anos e continuou a amá-la até os vinte e dois, mas que nunca se
decidiu a tornar pública a situação porque era um homem comprometido com
outra. Prometeu-lhe que a seguiria até o fim do mundo, só que apenas mais
tarde, quando resolvesse a sua situação, e ela tinha-se cansado de esperar
por ele, reconhecendo-o sempre nos homens altos e baixos, louros e
morenos que as cartas do baralho lhe prometiam pelos caminhos de terra e
os caminhos de mar, para dali a três dias, três meses ou três anos. Na
espera havia perdido a força das coxas, a dureza dos seios, o hábito da
ternura, mas conservava intacta a loucura do coração.