domingo, 10 de dezembro de 2017

Os teus olhos, sempre os teus olhos


I am delicate. You’ve been gone. 
The losing has hurt me some, yet 
I must bend for you. See me arch. I’m turned on.

[Anne Sexton]

Mira que si te quise, fué por el pelo. Ahora que estás pelona, ya no te quiero


Las miro o mejor dicho no las miro porque yo cuando camino no miro nada ni a nadie, sino que las intuyo o las veo de alguna manera, y sólo yo sé cuánto y cómo me fascinan los rostros bellos, y qué culpable me siento, inexplicablemente, de andar con mi ropa vieja, toda yo
desarreglada, despeinada, triste, asexuada, cargada de libros, con mi expresión tensa, dolorida, neurótica, obscura, y mi ropa ambigua, mis zapatos polvorientos, en medio de mujeres como flores, como luces, como ángeles.


[Alejandra Pizarnik]

Where I find you so slowly


I set my love upon you. Much too high.
In the sky   

arrange my burial.

[Marina Tsvetaeva]

Rejoice with those who rejoice, weep with those who weep.

 
[Romans 12:15 - 18 ESV/ John Heywood]




Tenho uma cisma aqui trancada





Esse poema, é sobre o quê?

É sobre os problemas de auto-estima das bonecas insufláveis.
É sobre a vantagem das navalhas em relação às maquinas de barbear.
É sobre os efeitos da nicotina no acasalamento de lagartixas.
É sobre Super Bock, Famous Grouse e, em dias melhores, Glenlivet.
É sobre as ruas de Lisboa quando as acho suficientemente tristes.
É sobre o nada, minha única «matéria».
É sobre tremoços, amendois e Domenico Scarlatti.
É sobre as alterações climatéricas no Bairro da Serafina.
É sobre gatos mortos e outros que ainda não morreram.
É sobre os seios de Jeanne Hébuterne e as mãos de Glenn Glould.
É sobre o bife de lombo à portuguesa do Trivial e os filetes do polvo do Apuradinho.
É sobre política internacional, obviamente.
É sobre a cona da tua mãe, leitor.
É sobre Copenhaga, Barcelona, Paris e Celorico da Beira.
É sobre cáries dentárias, fundamentalmente.
É sobre coisas que preferia ter calado.

[Manuel de Freitas]

Mas o amor, que foi sempre outra coisa, há-de trazer-nos à boca o exacto lugar onde morreremos


não te esqueças de me visitar. traz-me as fotografias de Veneza e aquele poema que me escreveste quando o nosso amor ainda era o que de mais magnífico acontecera nas nossas vidas e no mundo.
havemos de nos sentar nas mesmas cadeiras como se fossem as mesmas manhãs de sábado. havemos de olhar os mesmos telhados, divagar sobre a eternidade dos gestos e jurar comovidamente que as nossas almas se tocaram de uma maneira única e inesquecível.
eu hei-de esconder-te a minha interminável solidão e tu hás-de demonstrar-me, muito inocentemente, nas tuas palavras tão cheias de vida e de juventude, como a morte nos descobre mesmo nos lugares mais altos.

[gil t. sousa]