sábado, 31 de maio de 2014

Manual de civilidade para meninas


Ao despertarem, as meninas já devem ter acabado por completo de se masturbar quando começam as orações.

Se não vos tiverdes masturbado o bastante de manhã, não deveis acabar de o fazer na missa.

Não deveis acompanhar a missa com um exemplar do Gamiani, mormente se for ilustrado.

Nunca deveis arrancar um botão das cuecas do vosso vizinho, na missa, na altura do peditório. Fazei-o antes de entrardes.

«As pessoas que saibam de algum impedimento que obste à realização deste matrimónio são obrigadas a declará-lo», proclama o padre. Trata-se, todavia, duma simples praxe. Não devereis pois erguer-vos a tais palavras a fim de revelardes confidências.

Quando vos encontrais junto duma senhora que se ajoelha arqueando os rins, não lhe pergunteis se essa posição lhe traz à ideia lembranças ternas.

Durante a catequese, se o jovem vigário vos perguntar o que é a luxúria, não lhe respondais, com risinhos, que melhor do que ele o sabeis vós e vossas amigas.

No dia da vossa primeira comunhão, se uma senhora exclamar, ao ver-vos: «Como vai linda! Até parece uma noivinha!», não deveis responder: «Só cá me falta a flor de laranjeira». Uma tal réplica seria considerada atrevida.

Se antes de irdes comungar chupardes um cavalheiro, sobretudo evitai engolir o esperma, pois desse modo deixaríeis de ficar em jejum, como deveis.

Se durante o sermão o pregador tem ar de acreditar na «pureza das raparigas cristãs», eviai rir às gargalhadas. E se à tarde foderdes na igreja de uma aldeia não laveis o cu na pia de água benta. Longe de assim purificardes o vosso pecado, agravá-lo-íeis.

Ao ajoelhardes diante do altar, não convideis em voz baixa a menina que estiver ao vosso lado a deitar-se convosco à tarde.


[Pierre Louÿs]

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